segunda-feira, 20 de junho de 2011

Salvador necessita novo aterro

Por: Heloise Félix e Leandro Castro Nery

Com o crescimento acelerado da população, aumenta também o consumo desenfreado e tudo isso termina em uma única coisa: lixo. Mas para onde vão todos esses resíduos após serem coletados nas ruas? O aterro sanitário é o destino mais correto para tudo que se é depositado nas lixeiras. Entretanto como tudo que se é jogado fora, ele também tem um prazo de validade.

Segundo Clereston Oliveira, engenheiro ambiental da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), os aterros sanitários são projetados para durar uma média de 20 anos. “Quando acaba o tempo útil, deve-se cercar a área e cultivar plantas gramíneas. Não pode plantar árvores frutíferas para evitar que pessoas as consumam”, completa Oliveira.

Hoje, Salvador conta com dois depósitos de lixo o Aterro de Canabrava, que recebe materiais pós-construção, e o Aterro Metropolitano Centro, na estrada do Centro Industrial Aratu (Cia), próximo a Simões Filho. O último ainda é novo e tem uma tecnologia mais avançada projetada para reduzir contaminações pela população. "Só tem acesso ao Aterro Metropolitano o motorista do caminhão-compactador. No local não temos badameiros (catadores de lixões).", afirma Ana Vieira, chefe de assessoria e planejamento da Empresa de Limpeza Urbana Municipal (Limpurb).

Assim como se preocupa com o destino do lixo, o cuidado também surge quando o assunto é preservação ambiental. “Para diminuir os impactos procuram-se solos com baixa impermeabilidade; um local distante dos centros urbanos, exceto em grandes cidades porque quanto mais longe mais caro; mínimo de três metros acima do lençol freático”, explica a ambientalista Mardiore Pinheiro.

Por outro lado, a realidade de quem reside nas proximidades desses aterros é bem diferente. Um líder comunitário da região de Simões Filho diz que além de não ter trazido benfeitorias para os vizinhos, o aterro tornou-se um transtorno na vida deles. "Nos dias quentes, o cheiro é insuportável. Os caminhões descarregam dia e noite no aterro e provocam muito barulho. É praticamente impossível viver bem, por aqui”, diz Edivaldo Silva.

Aterro ou Lixão?

Segundo a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (CETESB), aterro sanitário é o processo de disposição final de resíduos sólidos, principalmente do lixo domiciliar, baseado em critérios de engenharia e normas operacionais específicas.

Estas normas e critérios permitem a confinação segura do lixo, em termos de controle da poluição ambiental e proteção ao meio ambiente. Ao contrário do aterro sanitário, os lixões não atendem nenhuma norma de controle. O lixo é disposto de qualquer maneira e sem nenhum tratamento, o que acaba causando inúmeros problemas ambientais.

“O lixo a céu aberto atrai ratos que têm a sua capacidade reprodutiva aumentada devido a disponibilidade abundante de alimentos. Esses animais são transmissores de inúmeras doenças, tais como raiva, meningite, leptospirose e peste bubônica”, explica a engenheira sanitária, Elisandra Leal. “Outro sério problema causado pelos lixões é a contaminação do solo e do lençol freático, caso exista um no local, pela ação do chorume, líquido de cor negra característico de matéria orgânica em decomposição”, completa ela.

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