A pedagoga e moradora da Ribeira, Fernanda Nunes, criou há 11 anos em uma garagem um lugar para ajudar os jovens do bairro a melhorar seu desempenho no colégio. Com o aumento do número de crianças e adolescentes no espaço, surgiu a Associação Beneficente Educação Arte e Cidadania (ABEAC).
A cada ano observa-se um crescimento do número de entidades sociais voltadas para o apoio às crianças e adolescentes. Algumas optam por áreas específicas, como violência física e sexual, banca escolar, creche, entre outras.
“Aprendi a respeitar as pessoas”, esse é o discurso de Paulo Tárcio, 15 anos, há oito anos no projeto. O jovem enfrentou problemas na escola, discussões com a família e vem se dedicando aos estudos para mais tarde realizar o desejo de torna-se policial militar. Ele afirma que nunca se envolveu com drogas ou com crime que é para o jovem “prisão ou morte”.
Sérgio Santos, diretor da organização não governamental (ONG), informa que a instituição vive de doações e parcerias, como a dos Correios e o Mesa Brasil, do SESC. “Enfrentamos dificuldades para pagar as contas de energia, internet, água e a maioria das doações são de alimentos”, diz. O diretor afirma, ainda que parte do terreno, onde ficava o campo de futebol, foi invadido para construção de casas.
Luana Lima, 17 anos, entrou há quatro anos na instituição precisando de reforço escolar, hoje, ela ajuda a desenvolver projetos com teatro para crianças e trabalha no setor administrativo. “Sinto-me bem em ajudar, seja no que for”, diz a jovem. Segundo ela, a instituição necessita de mais voluntários e de apoio para melhorar a estrutura do local.
A ABEAC desenvolve projetos de reforço escolar, música, dança, atenção à saúde, apoio sóciofamiliar, atividades esportivas e contra o preconceito. Ela integra a rede Comissão de Articulação dos Moradores da Península de Itapagipe (Cammpi), uma associação da Cidade Baixa, que visa à união e a busca de apoio.
A ABEAC tem convênio com algumas faculdades, a exemplo da Universidade Católica do Salvador (UCSAL), para um programa de estágios, especialmente na área de assistência social. Recebe também condenados pela Central de Apoio e Acompanhamento às Penas e Medidas Alternativas da Bahia (CEAPA-BA), vinculada ao Ministério da Justiça.
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